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Guia para professores

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Contexto cultural e adequação regional

Alinhe uma atividade a uma região, a um dialeto e a um conjunto de normas sociais específicos.

Ajuste da IALeitura de 8 min6 seções

O que o campo Contexto cultural realmente faz

Onde encontrar: Atividades › abra uma atividade › Cenário › Contexto cultural

O Contexto cultural é um campo opcional na etapa Cenário, mas faz mais do que a posição dele sugere. Quando você o preenche, ele se torna uma seção própria nas instruções da IA, que diz à IA que esse contexto faz parte de quem o personagem é e deve marcar o jeito como ele se expressa em cada fala. Não é um pano de fundo decorativo; ele molda diretamente como a IA fala.

A área de texto Contexto cultural na etapa Cenário do editor de atividades.
Deixar este campo em branco faz com que a IA use, por padrão, uma variedade genérica do idioma, sem ligação com nenhum lugar.
Atenção: Deixar o Contexto cultural em branco também afeta o feedback. A área de feedback Adequação cultural, na etapa Avaliação, depende deste campo: sem contexto cultural, essa área não tem nenhuma referência com base na qual avaliar.

A Lemon diz: Deixe em branco e você terá um 'lugar nenhum de livro didático'. Preencha e você terá um lugar.

Cite o lugar, não o continente

O erro mais comum aqui é escrever em escala de país ou de continente. "Cultura latino-americana" ou "cultura chinesa" abrange tanta variação que a IA não tem nada concreto com que trabalhar. Restrinja a uma cidade, uma região ou uma instituição.

Amplo demais

Cultura de língua espanhola. Seja culturalmente adequado.

Isso não dá à IA nenhum dialeto, nenhuma norma e nenhum detalhe específico. Ela vai produzir um registro pan-hispânico neutro, que não pertence a lugar nenhum.

Específico o bastante para ser útil

Este é um café de bairro em Buenos Aires. Use o espanhol rio-platense: voseo (vos tenés, vos querés) em vez de tú, e vocabulário argentino (medialunas em vez de croissants, un cortado, la cuenta). Os cumprimentos são calorosos e com contato físico; espera-se um pouco de conversa antes de tratar do assunto, e ir direto ao pedido soa brusco. O almoço é tarde para os padrões norte-americanos.

Dialeto, vocabulário e normas de interação: as três coisas que realmente mudam o que a IA produz.

A Lemon diz: Nível de cidade é melhor que nível de país. Nível de país é melhor que nada. Mas é no nível de cidade que a conversa começa a soar real.

As três coisas que vale a pena especificar

Você não precisa de uma etnografia. Quase todo o valor vem de três categorias, e normalmente dá para cobri-las em quatro ou cinco frases.

  • Variedade e dialeto: qual variedade regional e qualquer gramática característica (voseo, vosotros, francês do Quebec, árabe egípcio vs. árabe padrão moderno)
  • Vocabulário que muda conforme a região: as palavras para objetos do dia a dia, comida, transporte e dinheiro que mudam de um país para outro
  • Normas de interação: rituais de cumprimento, quanta conversa informal vem antes de tratar de negócios, franqueza, distância física, gorjetas, pontualidade, formas de tratamento

A Lemon diz: As normas de interação são as que os alunos nunca aprendem num livro didático, e são elas que fazem uma conversa parecer estrangeira de um jeito útil.

Exemplos prontos em vários idiomas

Aqui estão quatro contextos culturais escritos com mais ou menos o nível de detalhe certo. Repare que cada um cita um lugar, cita características específicas do idioma e cita pelo menos uma expectativa social.

Francês: Quebec

Uma loja de ferragens na cidade de Quebec. Use o francês quebequense: o tutoiement é normal entre adultos de idade parecida em uma loja, e espere vocabulário regional (magasiner, char para carro, dépanneur). O atendimento é simpático e direto, sem muita conversa. Os preços são em dólares canadenses, e os impostos são somados no caixa, não aparecem na prateleira.

Japonês: Osaka

Um pequeno restaurante de okonomiyaki em Osaka. O dono fala Kansai-ben com os clientes (ええ em vez de いい, おおきに para agradecer), mas mantém a polidez de です/ます com quem não conhece. Fazer o pedido é algo descontraído, e o dono recomenda pratos com prazer. Gorjeta não existe, e oferecê-la causa confusão.

Árabe: Cairo

Uma farmácia no centro do Cairo. Use o árabe coloquial egípcio, não o árabe padrão moderno. Os cumprimentos são longos e recíprocos: espere várias trocas antes de tratar do assunto. Dirija-se ao cliente com حضرتك, por educação. Pechinchar não é adequado em uma farmácia, embora seja normal em um mercado de rua.

Alemão: Viena

Um café tradicional em Viena. Use o alemão austríaco: Jänner, não Januar; Sackerl, não Tüte; e Grüß Gott como cumprimento padrão. O garçom é formalmente educado, usa Sie o tempo todo e fica à vontade com o silêncio: passar uma hora com um único café é totalmente normal, e o cliente não deve ser apressado.

A Lemon diz: Copie estes formatos. Troque o lugar e os detalhes e você terá um contexto cultural funcionando em dois minutos.

Como adequar a região aos seus alunos

Se o seu programa ensina uma variedade específica, diga isso explicitamente. Caso contrário, a IA vai tender para a variedade mais representada nos dados de treinamento, que geralmente é a que tem a maior presença on-line. Pode ser justamente a variedade que seus alunos não estão aprendendo.

  • Programas de espanhol que ensinam o espanhol peninsular devem citar vosotros explicitamente; caso contrário, a IA vai usar ustedes por padrão
  • Programas de português devem informar se é o brasileiro ou o europeu: eles diferem bastante na pronúncia e nas formas de tratamento
  • Programas de chinês devem informar se usam caracteres simplificados ou tradicionais, e se seguem o uso da China continental ou de Taiwan
  • Programas de árabe devem informar o dialeto, já que o árabe padrão moderno raramente é o que se ouve numa conversa de verdade
Dica: Escreva uma vez o contexto cultural fixo do seu programa e cole-o em todas as atividades. Leva dez segundos por atividade e faz todo o seu curso soar coerente.

A Lemon diz: Se algum aluno já voltou usando uma forma que o seu livro didático não ensina, este campo é a solução.

A cultura como conteúdo, não só como decoração

O uso mais interessante deste campo é fazer de uma norma cultural o próprio objeto da prática, em vez de só o pano de fundo. Monte uma situação em que errar na cultura tenha uma consequência visível na conversa: o personagem reage, e o aluno percebe.

A norma como conteúdo da aula

Você é um anfitrião recebendo um convidado em sua casa em Seul. Você espera que o convidado tire os sapatos na entrada e aceite o chá quando for oferecido: recusar de cara é constrangedor. Se o convidado recusar, não dê sermão; simplesmente ofereça mais uma vez, com um pouco mais de carinho, como faria um anfitrião de verdade.

O aluno recebe o feedback de dentro da simulação, e não de uma rubrica depois, o que fica muito mais na memória.

Atenção: Mantenha as normas concretas e comportamentais. Afirmações amplas sobre como uma nacionalidade inteira "é" levam a IA ao estereótipo. Descreva o que acontece nesta loja, nesta mesa, com esta pessoa.

A Lemon diz: Os melhores momentos culturais são aqueles em que o personagem reage, não aqueles em que uma nota explica o que deu errado.